domingo, 28 de Outubro de 2012


Pontos motores e a FES

Na aplicação prática da FES é essencial ter em atenção alguns critérios como:
·         a escolha do material a utilizar (aparelho, eletródos e meio de contacto);
·         a preparação da pele;
·         a localização dos eletródos;
·         os parâmetros da estimulação (forma da onda, frequência e duração do estímulo, tempo de estimulo e repouso, intensidade do estimulo e duração da aplicação).

Todos os critérios são essenciais para uma correta aplicação da estratégia de tratamento, contudo a localização dos eletródos é fundamental. A colocação dos eletródos baseia no sentido da contração muscular, no ponto em que o nervo afetado inerva o músculo a trabalhar (ponto motor) e no sentido e direção do estimulo elétrico aplicado. O eletródo negativo deve estar sobre o ponto motor, de forma a e estimular a junção neuromuscular, e permitir a transmissão do estímulo as fibras musculares. O eletródo positivo deve estar sobre uma região do músculo menos excitável, por exemplo, na junção mio-tendinosa, de forma otimizar a propagação do estímulo. Cada músculo apresenta um ponto motor iremos apresentá-los na tabela seguinte.


Segmento/ região corporal
Músculo
Ponto motor
Membro superior
Deltoide anterior
Sobre ventre muscular do mesmo anteriormente
Deltoide médio
Sobre ventre muscular do mesmo medialmente
Deltoide posterior
Sobre ventre muscular do mesmo posteriormente
Peitoral maior
Porção muscular mais próxima da axila anteriormente
Coracobraquial
Depressão no terço superior do braço medialmente
Bicípite
Terço médio do braço anteriormente
Tricípite (longa porção)
Porção muscular mais próxima da axila posteriormente
Tricípite (porção lateral)
Terço medio do braço póstero-lateralmente
Tricípite (porção medial)
Terço inferior braço póstero-medialmente
Braquial
Terço inferior do braço antero-lateralmente
Braquiradial
Terço superior do antebraço antero-lateralmente, perto cotovelo.
Extensor radial do carpo (longo e curto)
Ao nível do cotovelo póstero-lateralmente (++)
Supinador
Ao nível do cotovelo póstero-lateralmente (-)
Pronador redondo
Terço superior do antebraço antero-lateralmente perto cotovelo
Extensor dos dedos
Terço superior do antebraço póstero-lateralmente
Extensor ulnar do carpo
Terço superior do antebraço posteriormente
Flexor ulnar do carpo
Terço superior do antebraço antero-medialmente
Flexor radial do carpo
Terço medio do antebraço anteriormente
Extensor do dedo mínimo
Terço médio do antebraço póstero-lateralmente
Palmar longo
Terço médio do antebraço antero- medialmente (++)
Flexor profundo dos dedos
Terço médio antebraço antero-medialmente
Flexor longo do polegar
Terço inferior antebraço antero-lateralmente
Flexor superficial dos dedos
Terço inferior do antebraço antero-medialmente
Abdutor longo do polegar e Extensor curto do polegar
Terço inferior do antebraço póstero-lateralmente
Extensor longo do polegar
Terço inferior do antebraço póstero-lateralmente
Adutor do polegar
Entre 1º e 2º metacarpo
Interósseos dorsais e palmares
Do lado medial e lateral de cada metacarpo desde 2º ate 4º
Abdutor curto do polegar
Zona tenar, mais próximo da região cárpica.
Oponente do polegar
Zona tenar, no terço inferior do 1 metacarpo
Flexor curto do polegar
Zona tenar, no terço medio do 1 metacarpo
Abdutor do dedo mínimo
Terço medio do 5 metacarpo medialmente
Flexor e oponente do dedo mínimo
Terço medio do 5 metacarpo anteriormente
Lumbricóides
Do lado medial e lateral de cada metacarpo desde 2º ate 4º
Membro inferior
Bicípite femoral
Terço superior da coxa póstero-lateralmente
Semimembranoso e semitendinoso
Terço superior da coxa póstero-medialmente
Quadricípite (Reto femoral)
Terço médio da coxa, anteriormente
Quadricípite (Vasto lateral)
Terço inferior da coxa, antero-lateralmente
Quadricípite (Vasto medial)
Terço inferior a coxa, antero-medialmente
Tibial anterior
Terço superior da perna, anteriormente
Longo Peronial
Terço superior da perna antero-lateralmente
Gastrocnémios (medial e lateral)
Sobre ventre muscular do mesmo posteriormente
Solhar
Lateralmente e medialmente ao tendão de Aquiles
Extensor longo do Hálux
Terço inferior da perna, anteriormente
Extensor curto dos dedos
Zona anterior e próxima da tibiotársica (metatarso)
Abdutor longo do Hálux
Zona medial e média do 1º metatarso
Flexor longo do Hálux
Lateralmente ao tendão de Aquiles
Flexor longo dos dedos
Medialmente ao tendão de Aquiles
Tibial posterior
Sobre calcâneo medialmente
Tórax
Trapézio superior
Sobre ventre muscular do mesmo póstero-superiormente
Trapézio médio
Entre coluna vertebral e bordo medial da escápula.
Trapézio inferior
Região média do tórax posteriormente, lateralmente á coluna vertebral.
Supraespinhoso
Superior á espinha da escápula
Infraespinhoso
Bordo lateral da escápula
Redondo maior e menor
Lateralmente á escapula, próximo da axila
Serrátil anterior
Sobre a grelha costal lateralmente
Latíssimo do dorso
Região inferior do tórax posteriormente lateralmente a coluna vertebral, superior as cristas ilíacas.

Para que a estimulação tenha resultado no aumento da função muscular, é necessário conhecer qual o tipo de fibras a estimular, desta forma podemos encontrar a frequência correta a utilizar. A duração do impulso deve respeitar o limiar das fibras motoras, para que tenha a ação correta sobre o músculo a trabalhar. O tempo de estímulo deve ser menor que o tempo de repouso, entre estimulações, para evitar a fadiga. A modulação do estímulo utilizado deve ter em atenção que o tempo gasto até a contração máxima deve ser menor que o tempo de diminuição do estímulo.

Na aplicação da FES a corrente utilizada tem que ser bifásica, com uma frequência entre 12 a 25 Hz (tendo valores ligeiramente diferentes entre os membros – entre 12 e 16 Hz para o membro superior e entre 18 e 25 Hz para o membro inferior), tendo uma duração de impulso entre 200 e 400 microssegundos (sendo o ideal 300 microssegundos para os músculos mobilizadores e os 400 microssegundos utilizados para os músculos estabilizadores), e respeitando a regra de tempo de estimulação e de modulação.

A duração de tratamento deve ser entre 5 minutos e 3 horas, contudo devemos ter em consideração a tolerância do utente, a curto e a longo prazo, ao tratamento de estimulação elétrica.

 Pode consultar o link abaixo, para obter mais informação sobre a aplicabilidade da FES:

 

Referências bibliográficas:
- Almeida, Patrícia (2012). Estimulação elétrica neuromuscular. Fisioterapia em condições neuromusculares. Alcoitão: Escola Superior de Saúde de Alcoitão.
-
http://pt.scribd.com/doc/34327757/MOTOR-POINTS-FOR-ELECTRICAL-STIMULATION-FOR-PHYSIOTHEAPIST (consultado a 24 de outubro de 2012, ás 18h).

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